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O Poeta Erótico

17.11.22

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Sonhei que eras a cidade branca

Erótica, eu um peregrino que te visitava, que
me embrenhava em todas as ruas e mistérios
recônditos fixando os nomes de cada rua
estreita, que havia sonhos dentro de ti
cafés, lojas e bazares iluminados de luzes trémulas
sonhei que os teus seios eram museus, visitei-os
molhei-os de saudade e ternura, porque havia tempo
para atravessar pontes, donde corria um rio direito
de água transparente, sonhei atravessá-lo, vê-lo por
onde seguia, misterioso, odorífero - num ângulo agudo,
convergi para onde o rio crescia, desaguando-me nas mãos
trémulas, folhas outonais, e este beco escuro, de lume aceso
aqueceu-me o coração gelado pelos rigores da vida
aceso entrei, determinado decidido a
permanecer, ergui-me, por um momento pensei
que flutuava num balão de ar quente, deslizando
pelo paraíso que era aquele lar ferido
que mal chega para um, minúsculo, porém, 
fervilhando de vida, de vida a enrolar-se e
embrenhar-se no tempo, sem fio, a perder-me de vista
e lambia esse momento com língua de gato
com língua de chuva, ao fundo a lua erguia-se
de boca aberta, masturbava-se, se enfiando num céu
preto de tinta da china, entre lençóis de nuvens. 
que cidade eras! que capital do desejo, que sumo
saiu de ti e de mim, que festas e bailes havia 
nos teus seios cheios, pintalgados de estrelas
de aurora boreal experimentei no teu sexo
molhado, nos teus ombros firmes, hipoptético
sentimento de tigre quando a presa caça. Hei-de 
visitar-te mais vezes, flor de charme, que és tu
cidade branca no cimo do monte que é o tempo

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